Lição 2: Os Pentecostais

Prof: Pr Antônio Neto


Introdução

Na lição passada, tentamos entender as origens das denominações. Também vimos um quadro geral de como organizar as várias igrejas em seus grupos específicos. Agora, tentaremos entender as características de cada um dos quatro grupos apresentados: pentecostais, reformados, fundamentalistas e neopentecostais.
Antes de iniciar, é importante lembrarmos alguns pontos. Primeiro, apesar de haverem quatro grandes grupos de denominações no Brasil, não podemos radicalizar tal divisão. Como já foi dito, há sincretismo entre os grupos, como reformados pentecostais, e fundamentalistas com crenças reformadas. O que queremos é entender os elementos distintivos de cada grupo denominacional.
Em segundo lugar, em cada grupo, com exceção dos fundamentalistas, há igrejas que apresentam crenças hereges. Há igrejas pentecostais que não crêem na Trindade, há igrejas reformadas que não crêem na divindade de Cristo e há igrejas neo-pentecostais que não creem na autoridade única das Escrituras. No entanto, tais igrejas são exceções e, por isso, não serão analisadas.
O primeiro grupo, portanto, que estudaremos é o pentecostalismo. Veremos sua origem, suas crenças básicas e, então, faremos uma breve avaliação.

I.                   ORIGEM

A.               Características Gerais
1.                 O nome “pentecostal” vem da festa judaica chamada de “festa das semanas”. Em Atos 2:1 diz que o Espírito Santo desceu sobre os discípulos no “dia de Pentecostes”, ou seja, no ultimo dia da festa das semanas. Desta maneira, como o pentecostalismo prega uma “nova” descida do Espírito, eles adotaram o termo “Igreja Pentecostal” para si.
2.                 Os pentecostais são o maior segmento evangélico no Brasil. A Assembleia de Deus, por exemplo, é quase três vezes maior do que a segunda maior denominação brasileira, os Batistas, com mais de 12 milhões de adeptos.

B.                Origem Histórica
1.                 A origem do pentecostalismo é atribuída a um afro-americano chamado William Seymour. Um de seus professores, chamado Charles Parhan, concluiu que o falar em línguas seria o sinal visível do batismo com o Espírito Santo. Seymour, em uma viagem para a cidade de Los Angeles, promoveu o chamado “avivamento da rua Azusa”. Durante sua pregação em uma reunião nesta rua, vários começaram a falar em línguas. Este evento, portanto, no ano de 1906, é considerado a fundação do pentecostalismo.
2.                 Este evento recebeu ampla divulgação pela mídia local, provocando uma adesão rápida às novas ideias. Além disso, os EUA viviam uma época de amplo envio de missionários, divulgando, assim, o pentecostalismo em vários países do mundo.
3.                 Inicialmente, os pentecostais ficaram marcados pela forte ênfase no falar em línguas, no Batismo do Espírito como posterior à conversão, e à ênfase em uma vida ascética, com alto padrão moral.
4.                   No Brasil, a origem e o desenvolvimento dos pentecostais são descritos como três grandes ondas.
5.                 A Primeira Onda
a)                A primeira onda é o período de desenvolvimento do pentecostalismo que vai de 1910 a 1950.
b)                Em 1910, apenas 4 anos depois do avivamento da rua Azusa, os primeiros missionários pentecostais chegaram ao Brasil.
c)                Em 1911, dois missionários suecos chamados Daniel Berg e Gunnar Vingren, chegaram em Belém, no Pará. Participaram de uma igreja Batista quando, após uma viagem do pastor local, inseriram as idéias e práticas pentecostais, provocando um cisma na igreja e a fundação de uma nova igreja, a Assembleia de Deus.    
d)               Em 1914, com o envio de mais missionários suecos, a igreja Assembleia de Deus se expandiu grandemente pelo nordeste e pelo sudeste. Em 1930, já era uma igreja com enorme número de adeptos em todo o Brasil. Neste ano, a sede foi transferida para o Rio de Janeiro, com a fundação da CGADB, Convenção Geral das Assembleias de Deus.
e)                Nesta primeira onda, a ênfase doutrinária das igrejas eram as mesmas do pentecostalismo norte-americano, línguas, batismo do Espírito após a conversão e um alto padrão moral de vida.
6.                 A Segunda Onda
a)                A segunda onda compreende os anos de 1950 a 1970, e marca uma ampla fragmentação do pentecostalismo brasileiro, com a fundação de novas grandes denominações pentecostais por novos missionários norte-americanos.
b)                As três maiores igrejas fundadas neste período são: Igreja Brasil para Cristo, Igreja do Evangelho Quadrangular e a Igreja Deus é Amor.
c)                Neste período, o Brasil vivia um amplo processo de crescimento urbano. Por isso, os missionários enfatizaram a evangelização em massa, promovendo cruzadas de curas, e o amplo uso das mídias de rádio para a evangelização. Desta maneira, o pentecostalismo expandiu-se consideravelmente, especialmente nas classes média e baixa da sociedade.
d)               A ênfase doutrinária desse período foram as curas, além da manutenção das doutrinas do pentecostalismo clássico.


7.                 A Terceira Onda
a)                A partir da década de 70, surgiram as igrejas neopentecostais, grupo que estudaremos posteriormente.
b)                Estas igrejas surgiram sob a influencia dos novos movimentos de sinais e maravilhas, ocorridos nos Estados Unidos. Pastores de igrejas tradicionais no Brasil foram sendo influenciados por estes movimentos, e promoveram as chamadas “renovações” em suas igrejas.
c)                Um dos elementos marcantes do neopentecostalismo é a teologia da prosperidade, que ensina que o cristão tem que possuir riquezas materiais nesta vida.
d)               As maiores igrejas deste período são a Igreja Universal do Reino de Deus, a Igreja Internacional da Graça de Deus, e a Igreja Mundial, além de outras, como a Renascer em Cristo, e a Sara Nossa Terra.
e)                A ênfase neste período foi nos sinais e prodígios, como as famosas unções do riso, cair para trás, além dos exorcismos e curas, além da Teologia da Prosperidade.
8.                 Outro fator importante para o desenvolvimento do pentecostalismo no Brasil foi o chamado “Movimento Carismático”. Este movimento foi uma onda de pentecostalização de igrejas tradicionais, como batistas e presbiterianos. Foi daí que se tornou difícil se dizer o que se faz dentro de uma igreja apenas pela placa fora dela, e que houve uma suavização do legalismo dos pentecostais tradicionais.

II.                CRENÇAS E PRÁTICAS DISTINTIVAS

A.               A Segunda Bênção
1.                 A crença mais básica e distintiva dos pentecostais é a Segunda Bênção. Esta crença diz que o cristão recebe a habitação do Espírito Santo no momento da conversão, mas ainda necessita de um enchimento, ou uma plenitude do Espírito, capacitando-o a servir e a exercer seus dons. Este enchimento é chamado de Batismo com o Espírito Santo.
2.                 Este Batismo deve ser buscado por cada convertido, por meio de uma vida de santidade e oração.
3.                 Pelo fato deste enchimento ser posterior à conversão, é chamado de Segunda Bênção. Atualmente, os pentecostais tem variado quanto ao tempo que pode distanciar a conversão do Batismo com o Espírito, se é imediatamente após, ou não.

B.                O Falar em Línguas
1.                 Para a maioria dos pentecostais, a evidencia visível do Batismo com o Espírito é o falar em línguas.
2.                  Baseiam-se no texto de Atos 2, quando o Espírito desceu sobre os discípulos e eles passaram a falar em outras línguas.
3.                 Estas línguas não são necessariamente idiomas, mas são línguas celestiais.

C.               Os Dons Espirituais
1.                 Os pentecostais são Continuacionistas em relação aos dons, ou seja, acreditam que todos os dons espirituais estão disponíveis para serem praticados nos dias atuais.
2.                 Embora o dom de línguas seja o dom mais enfatizado, o Batismo com o Espírito habilita o cristão a exercer outros dons, como profecias, curas e expulsão de demônios.

D.                A Ênfase na Experiência
1.                 Por causa sua forte ênfase na manifestação dos dons, os pentecostais promovem cultos com forte ênfase nestas experiências sobrenaturais.
2.                 Desta forma, os cultos são voltados para promover tais experiências, com tempo musical relativamente longo, e pregações que prezam mais por testemunhos pessoais do que exposição bíblica.

E.                 “Culto” à Personalidade
1.                 Ainda por causa da valorização das experiências, aqueles que possuem experiências mais poderosas com Deus recebem bastante atenção e valorização entre os pentecostais.
2.                 Por isso, é comum entre pentecostais a celebração de grandes líderes religiosos. Exemplos no Brasil são o Pr Silas Malafaia e o Pr Marcos Feliciano.

F.                Outras Crenças
1.                 Na salvação, os pentecostais são tradicionalmente arminianos, ou seja, entendem que a salvação é uma obra conjunta de Deus e do homem, onde Deus apenas oferece, e cabe ao homem aceita-lo ou não. Além disso, cabe ao homem manter-se salvo, doutra maneira ele poderá perder sua salvação. Porém, no Brasil, tem havido um amplo crescimento da teologia calvinista em igrejas pentecostais.
2.                 Na forma de culto, os pentecostais são abertos às novas tendências. As mais tradicionais, adotam hinos clássicos e louvor mais comedido. As mais modernas abraçam cultos mais agitados, com palmas, danças e uso de qualquer ritmo contemporâneo.
3.                 Na forma de governo da igreja, há uma série de títulos que torna bem complexa a administração das igrejas pentecostais. Há os auxiliares, diáconos, diaconisas, presbíteros, pastores e pastoras e, dependendo da igreja, até apóstolos ou bispos primazes.
4.                 Na vida prática, são geralmente triunfalistas, ou seja, mantêm uma visão de batalha espiritual, onde o cristão precisa ser vencedor em todas as áreas de sua vida.
5.                 Na doutrina das ultimas coisas, pensam como os Batistas, acreditam em um reino terreno futuro de Jesus, precedido pelo arrebatamento da igreja antes da Tribulação e um retorno visível de Cristo após esta Tribulação.


III.             BREVE AVALIAÇÃO DO PENTECOSTALISMO

A.               Pontos Positivos
1.                 Forte ênfase na evangelização e na ação social. Os pentecostais são o grupo que mais prezam pelo envio de missionários, fundação de igrejas, e implantação de trabalhos de assistência social.
2.                 Forte ênfase no deslumbramento com o sobrenatural. Os conservadores correm o sérios riscos de se fecharem às ações de Deus no nosso cotidiano, na busca por milagres, e na ação de Satanás neste mundo.
3.                 Forte ênfase em cultos relevantes. Os pentecostais nos motivam a buscarmos cultos alegres, que motivam os crentes a louvarem a Deus e serem fortalecidos, por meio, especialmente, de louvores mais ligados à realidade cultural.

B.                Pontos Negativos
1.                 As doutrinas da Segunda Bênção, do falar em línguas como evidencia, e da continuidade de todos os dons carecem de base bíblica, como veremos posteriormente.
2.                 A ênfase nas experiências relativiza a importância da Bíblia na vida e no culto. Por isso, é comum no pentecostalismo uma falta de conhecimento da Palavra e uma falta de interesse no estudo teológico.
3.                 O culto à personalidade promove lideranças de estilo centralizador e torna tais líderes intocáveis. Além disso, congregação não possui poder de decidir e fiscalizar o que se faz com suas contribuições.
4.                 A ênfase em experiências espirituais e não na manifestação de frutos espirituais faz com que o pentecostalismo seja marcado por desvios morais, tanto em seus líderes quanto no povo comum.

IV.             PERGUNTAS PARA REFLETIR

A.               Por que você acha que os pentecostais são os que mais crescem entre os evangélicos? Há razões boas e ruins?
B.                Você já teve alguma experiência semelhante à dos pentecostais? Como foi?
C.               Até que ponto podemos considerar uma igreja pentecostal uma co-irmã de nossa igreja?


ESCOLA BÍBLICA - TEMA: Quem Somos Nós? Lição 2

Lição 2: Os Pentecostais

Prof: Pr Antônio Neto


Introdução

Na lição passada, tentamos entender as origens das denominações. Também vimos um quadro geral de como organizar as várias igrejas em seus grupos específicos. Agora, tentaremos entender as características de cada um dos quatro grupos apresentados: pentecostais, reformados, fundamentalistas e neopentecostais.
Antes de iniciar, é importante lembrarmos alguns pontos. Primeiro, apesar de haverem quatro grandes grupos de denominações no Brasil, não podemos radicalizar tal divisão. Como já foi dito, há sincretismo entre os grupos, como reformados pentecostais, e fundamentalistas com crenças reformadas. O que queremos é entender os elementos distintivos de cada grupo denominacional.
Em segundo lugar, em cada grupo, com exceção dos fundamentalistas, há igrejas que apresentam crenças hereges. Há igrejas pentecostais que não crêem na Trindade, há igrejas reformadas que não crêem na divindade de Cristo e há igrejas neo-pentecostais que não creem na autoridade única das Escrituras. No entanto, tais igrejas são exceções e, por isso, não serão analisadas.
O primeiro grupo, portanto, que estudaremos é o pentecostalismo. Veremos sua origem, suas crenças básicas e, então, faremos uma breve avaliação.

I.                   ORIGEM

A.               Características Gerais
1.                 O nome “pentecostal” vem da festa judaica chamada de “festa das semanas”. Em Atos 2:1 diz que o Espírito Santo desceu sobre os discípulos no “dia de Pentecostes”, ou seja, no ultimo dia da festa das semanas. Desta maneira, como o pentecostalismo prega uma “nova” descida do Espírito, eles adotaram o termo “Igreja Pentecostal” para si.
2.                 Os pentecostais são o maior segmento evangélico no Brasil. A Assembleia de Deus, por exemplo, é quase três vezes maior do que a segunda maior denominação brasileira, os Batistas, com mais de 12 milhões de adeptos.

B.                Origem Histórica
1.                 A origem do pentecostalismo é atribuída a um afro-americano chamado William Seymour. Um de seus professores, chamado Charles Parhan, concluiu que o falar em línguas seria o sinal visível do batismo com o Espírito Santo. Seymour, em uma viagem para a cidade de Los Angeles, promoveu o chamado “avivamento da rua Azusa”. Durante sua pregação em uma reunião nesta rua, vários começaram a falar em línguas. Este evento, portanto, no ano de 1906, é considerado a fundação do pentecostalismo.
2.                 Este evento recebeu ampla divulgação pela mídia local, provocando uma adesão rápida às novas ideias. Além disso, os EUA viviam uma época de amplo envio de missionários, divulgando, assim, o pentecostalismo em vários países do mundo.
3.                 Inicialmente, os pentecostais ficaram marcados pela forte ênfase no falar em línguas, no Batismo do Espírito como posterior à conversão, e à ênfase em uma vida ascética, com alto padrão moral.
4.                   No Brasil, a origem e o desenvolvimento dos pentecostais são descritos como três grandes ondas.
5.                 A Primeira Onda
a)                A primeira onda é o período de desenvolvimento do pentecostalismo que vai de 1910 a 1950.
b)                Em 1910, apenas 4 anos depois do avivamento da rua Azusa, os primeiros missionários pentecostais chegaram ao Brasil.
c)                Em 1911, dois missionários suecos chamados Daniel Berg e Gunnar Vingren, chegaram em Belém, no Pará. Participaram de uma igreja Batista quando, após uma viagem do pastor local, inseriram as idéias e práticas pentecostais, provocando um cisma na igreja e a fundação de uma nova igreja, a Assembleia de Deus.    
d)               Em 1914, com o envio de mais missionários suecos, a igreja Assembleia de Deus se expandiu grandemente pelo nordeste e pelo sudeste. Em 1930, já era uma igreja com enorme número de adeptos em todo o Brasil. Neste ano, a sede foi transferida para o Rio de Janeiro, com a fundação da CGADB, Convenção Geral das Assembleias de Deus.
e)                Nesta primeira onda, a ênfase doutrinária das igrejas eram as mesmas do pentecostalismo norte-americano, línguas, batismo do Espírito após a conversão e um alto padrão moral de vida.
6.                 A Segunda Onda
a)                A segunda onda compreende os anos de 1950 a 1970, e marca uma ampla fragmentação do pentecostalismo brasileiro, com a fundação de novas grandes denominações pentecostais por novos missionários norte-americanos.
b)                As três maiores igrejas fundadas neste período são: Igreja Brasil para Cristo, Igreja do Evangelho Quadrangular e a Igreja Deus é Amor.
c)                Neste período, o Brasil vivia um amplo processo de crescimento urbano. Por isso, os missionários enfatizaram a evangelização em massa, promovendo cruzadas de curas, e o amplo uso das mídias de rádio para a evangelização. Desta maneira, o pentecostalismo expandiu-se consideravelmente, especialmente nas classes média e baixa da sociedade.
d)               A ênfase doutrinária desse período foram as curas, além da manutenção das doutrinas do pentecostalismo clássico.


7.                 A Terceira Onda
a)                A partir da década de 70, surgiram as igrejas neopentecostais, grupo que estudaremos posteriormente.
b)                Estas igrejas surgiram sob a influencia dos novos movimentos de sinais e maravilhas, ocorridos nos Estados Unidos. Pastores de igrejas tradicionais no Brasil foram sendo influenciados por estes movimentos, e promoveram as chamadas “renovações” em suas igrejas.
c)                Um dos elementos marcantes do neopentecostalismo é a teologia da prosperidade, que ensina que o cristão tem que possuir riquezas materiais nesta vida.
d)               As maiores igrejas deste período são a Igreja Universal do Reino de Deus, a Igreja Internacional da Graça de Deus, e a Igreja Mundial, além de outras, como a Renascer em Cristo, e a Sara Nossa Terra.
e)                A ênfase neste período foi nos sinais e prodígios, como as famosas unções do riso, cair para trás, além dos exorcismos e curas, além da Teologia da Prosperidade.
8.                 Outro fator importante para o desenvolvimento do pentecostalismo no Brasil foi o chamado “Movimento Carismático”. Este movimento foi uma onda de pentecostalização de igrejas tradicionais, como batistas e presbiterianos. Foi daí que se tornou difícil se dizer o que se faz dentro de uma igreja apenas pela placa fora dela, e que houve uma suavização do legalismo dos pentecostais tradicionais.

II.                CRENÇAS E PRÁTICAS DISTINTIVAS

A.               A Segunda Bênção
1.                 A crença mais básica e distintiva dos pentecostais é a Segunda Bênção. Esta crença diz que o cristão recebe a habitação do Espírito Santo no momento da conversão, mas ainda necessita de um enchimento, ou uma plenitude do Espírito, capacitando-o a servir e a exercer seus dons. Este enchimento é chamado de Batismo com o Espírito Santo.
2.                 Este Batismo deve ser buscado por cada convertido, por meio de uma vida de santidade e oração.
3.                 Pelo fato deste enchimento ser posterior à conversão, é chamado de Segunda Bênção. Atualmente, os pentecostais tem variado quanto ao tempo que pode distanciar a conversão do Batismo com o Espírito, se é imediatamente após, ou não.

B.                O Falar em Línguas
1.                 Para a maioria dos pentecostais, a evidencia visível do Batismo com o Espírito é o falar em línguas.
2.                  Baseiam-se no texto de Atos 2, quando o Espírito desceu sobre os discípulos e eles passaram a falar em outras línguas.
3.                 Estas línguas não são necessariamente idiomas, mas são línguas celestiais.

C.               Os Dons Espirituais
1.                 Os pentecostais são Continuacionistas em relação aos dons, ou seja, acreditam que todos os dons espirituais estão disponíveis para serem praticados nos dias atuais.
2.                 Embora o dom de línguas seja o dom mais enfatizado, o Batismo com o Espírito habilita o cristão a exercer outros dons, como profecias, curas e expulsão de demônios.

D.                A Ênfase na Experiência
1.                 Por causa sua forte ênfase na manifestação dos dons, os pentecostais promovem cultos com forte ênfase nestas experiências sobrenaturais.
2.                 Desta forma, os cultos são voltados para promover tais experiências, com tempo musical relativamente longo, e pregações que prezam mais por testemunhos pessoais do que exposição bíblica.

E.                 “Culto” à Personalidade
1.                 Ainda por causa da valorização das experiências, aqueles que possuem experiências mais poderosas com Deus recebem bastante atenção e valorização entre os pentecostais.
2.                 Por isso, é comum entre pentecostais a celebração de grandes líderes religiosos. Exemplos no Brasil são o Pr Silas Malafaia e o Pr Marcos Feliciano.

F.                Outras Crenças
1.                 Na salvação, os pentecostais são tradicionalmente arminianos, ou seja, entendem que a salvação é uma obra conjunta de Deus e do homem, onde Deus apenas oferece, e cabe ao homem aceita-lo ou não. Além disso, cabe ao homem manter-se salvo, doutra maneira ele poderá perder sua salvação. Porém, no Brasil, tem havido um amplo crescimento da teologia calvinista em igrejas pentecostais.
2.                 Na forma de culto, os pentecostais são abertos às novas tendências. As mais tradicionais, adotam hinos clássicos e louvor mais comedido. As mais modernas abraçam cultos mais agitados, com palmas, danças e uso de qualquer ritmo contemporâneo.
3.                 Na forma de governo da igreja, há uma série de títulos que torna bem complexa a administração das igrejas pentecostais. Há os auxiliares, diáconos, diaconisas, presbíteros, pastores e pastoras e, dependendo da igreja, até apóstolos ou bispos primazes.
4.                 Na vida prática, são geralmente triunfalistas, ou seja, mantêm uma visão de batalha espiritual, onde o cristão precisa ser vencedor em todas as áreas de sua vida.
5.                 Na doutrina das ultimas coisas, pensam como os Batistas, acreditam em um reino terreno futuro de Jesus, precedido pelo arrebatamento da igreja antes da Tribulação e um retorno visível de Cristo após esta Tribulação.


III.             BREVE AVALIAÇÃO DO PENTECOSTALISMO

A.               Pontos Positivos
1.                 Forte ênfase na evangelização e na ação social. Os pentecostais são o grupo que mais prezam pelo envio de missionários, fundação de igrejas, e implantação de trabalhos de assistência social.
2.                 Forte ênfase no deslumbramento com o sobrenatural. Os conservadores correm o sérios riscos de se fecharem às ações de Deus no nosso cotidiano, na busca por milagres, e na ação de Satanás neste mundo.
3.                 Forte ênfase em cultos relevantes. Os pentecostais nos motivam a buscarmos cultos alegres, que motivam os crentes a louvarem a Deus e serem fortalecidos, por meio, especialmente, de louvores mais ligados à realidade cultural.

B.                Pontos Negativos
1.                 As doutrinas da Segunda Bênção, do falar em línguas como evidencia, e da continuidade de todos os dons carecem de base bíblica, como veremos posteriormente.
2.                 A ênfase nas experiências relativiza a importância da Bíblia na vida e no culto. Por isso, é comum no pentecostalismo uma falta de conhecimento da Palavra e uma falta de interesse no estudo teológico.
3.                 O culto à personalidade promove lideranças de estilo centralizador e torna tais líderes intocáveis. Além disso, congregação não possui poder de decidir e fiscalizar o que se faz com suas contribuições.
4.                 A ênfase em experiências espirituais e não na manifestação de frutos espirituais faz com que o pentecostalismo seja marcado por desvios morais, tanto em seus líderes quanto no povo comum.

IV.             PERGUNTAS PARA REFLETIR

A.               Por que você acha que os pentecostais são os que mais crescem entre os evangélicos? Há razões boas e ruins?
B.                Você já teve alguma experiência semelhante à dos pentecostais? Como foi?
C.               Até que ponto podemos considerar uma igreja pentecostal uma co-irmã de nossa igreja?


Lição 1: A Origem das denominações.
     
Professor: Pr. Antônio Neto.

Certa vez, conversando com uma senhora a quem eu estava evangelizando, ela me disse: “não sou evangélica, porque há tanto tipo de igreja evangélica que nem dá para saber qual está correta”. O que esta senhora estava dizendo, em parte, é verdade, pois o Brasil possui incontáveis denominações evangélicas.
Além das denominações mais tradicionais, como as Igrejas Presbiterianas, as Igrejas Assembleia de Deus e as Igrejas Batistas, há uma série de variações. Há aquelas que não gostam do nome “igreja” e adotam o termo “comunidade” ou “congregação”. Há outras denominações que visam a publicidade, adotando nomes como “Igreja da visão de águia”, ou “Igreja canelas de fogo”.
Mais complicado ainda é o fato de que nem mesmo nas denominações tradicionais citadas acima há unidade. Por exemplo, as igrejas Assembleia de Deus incluem a Assembleia de Deus Vitória em Cristo, a Assembleia de Deus ministério central, e até, de acordo com uma pesquisa na internet, a Assembleia de Deus pavio que fumega. Nas igrejas presbiterianas, há as presbiterianas independentes, as renovadas, as presbiterianas do Brasil e etc. E nas Batistas não é diferente.
Uma breve pesquisa na internet é suficiente para se descobrir nomes de igrejas como “IGREJA JESUS ESTÁ VOLTANDO, PREPARA-TE”, IGREJA EVANGÉLICA A ÚLTIMA TROMBETA SOARÁ”, “IGREJA “A” DE AMOR”, e ainda a “CRUZADA EVANGÉLICA DO PASTOR WALDEVINO COELHO, A SUMIDADE”.
Mas afinal, de onde vem tanta igreja? Por quê tanta igreja assim? Por quê que nem no catolicismo, nem em outras religiões existem tantas variações como nas igrejas evangélicas? No meio disso tudo, onde nós nos encaixamos?
Este é o primeiro estudo de uma série que tem como tema geral “Quem somos nós?”. Nosso propósito é entender todo o movimento evangélico e entender o que nós somos em meio a toda esta “confusão”. Nesta primeira aula, tentaremos compreender toda esta variação entre os evangélicos.

I.                   DEFINIÇÕES IMPORTANTES
Antes de começarmos nossos estudos, é bem importante definirmos bem os termos sobre os quais vamos tratar. Primeiro, é bom distinguirmos entre denominações evangélicas, seitas cristãs e religiões cristãs e não-cristãs.
Uma seita é um grupo de pessoas que negam uma crença tradicional do cristianismo, mas que ainda intitula-se cristã. Por exemplo, as Testemunhas de Jeová negam a divindade de Jesus e do Espírito Santo, mas ainda se intitulam-se cristãos. Por isso, as seitas não são consideradas igrejas evangélicas, mas um seguimento religioso específico. Assim, os Mórmons, os Espíritas e as Testemunhas de Jeová são seitas, e não denominações evangélicas.
Uma religião cristã é um seguimento que possui certas crenças oriundas das Escrituras e especialmente afirma ter como seu mestre inicial a pessoa de Jesus de Nazaré. Tradicionalmente, há duas grandes religiões cristãs, o Catolicismo e o Prostetantismo. Da mesma maneira, o Xintoísmo, o Islamismo são exemplos de religiões não-cristãs, pois possuem crenças alicerçadas em outros líderes religiosos, como Confúcio, Buda ou Maomé.
Por fim, uma denominação evangélica é um grupo específico dentro do Protestantismo que abraça uma forma específica de fé e prática, sem abrir mão dos elementos essenciais que os tornam evangélicos. Por exemplo, todos os evangélicos, com raríssimas exceções, concordam que Deus é Trino, que a Bíblia é a Palavra de Deus, que Jesus morreu pelos nossos pecados e ressuscitou, e que Jesus voltará. No entanto, umas igrejas acham que crianças devem ser batizadas, outras acham que não, e isso então divide-as em denominações, mas ainda os mantém no mesmo grupo geral do protestantismo.
Portanto, nossos estudos não tratarão da diferenças entre evangélicos e católicos, nem entre evangélicos e as seitas, mas de diferenças entre os próprios evangélicos. Portanto, a Igreja Batista e a Igreja Presbiteriana são denominações evangélicas.

II.                A ORIGEM DAS DENOMINAÇÕES


A.               Origem Histórica
No início, só havia uma igreja cristã. Com os apóstolos ainda vivos, os cristãos sempre viam uma maneira de manterem-se unidos pelo ensino deles. Por exemplo, quando houve um debate entre as igrejas se os crentes não-judeus deveriam se circuncidar como os judeus, foi uma reunião dos apóstolos quem resolveu (Atos 15).
Depois da morte dos apóstolos, a igreja continuou unida por meio de várias reuniões, chamadas de Concílios. Quando aconteciam discordâncias, eram convocados Concílios para chegar a uma resolução. Porém, depois que o cristianismo se tornou a religião do império romano, ela tornou-se organizada em torno da figura do Papa, e tomou a forma da igreja católica que conhecemos hoje.
Depois de muitos anos, por volta do século XVI, uma série de homens começaram a notar os graves erros cometidos pela igreja papal e decidiram romper com o papado. Dentre eles, os mais importantes foram Lutero e Calvino. Daí começou um novo seguimento religioso, o protestantismo, ou seja, aqueles que romperam com a igreja católica papal.
No entanto, embora os protestantes concordassem em determinados pontos, como a centralidade das Escrituras, a Salvação apenas por Cristo por meio da fé, a mediação única de Jesus, e não de Maria e dos santos católicos, eles possuíam opiniões diferentes em outros pontos importantes, como a forma de governo da igreja, a natureza do batismo, e a forma de se cultuar a Deus.
Destas discordâncias, surgiram quatro grandes modelos de igrejas: 1) O Luteranismo, que seguem os pensamentos de Lutero; 2) Os Reformados ou Presbiterianos, que seguem o pensamento de João Calvino; 3) Os Anglicanos, que seguiam as normas do reinado da Inglaterra; e 4) As igrejas livres, como os anabatistas e depois os Batistas, que eram grupos locais com líderes específicos.
Com o decorrer dos anos, foi natural que houvesse tanto sincretismo entre estas igrejas, como o surgimento de novos formatos. Surgiram, então, igrejas Batistas Reformadas, que foram igrejas batistas que abraçaram os ensinos de João Calvino, e Anglicanas Reformadas. Também, surgiram igrejas como as igrejas Pentecostais, que pregavam um novo agir do Espírito Santo no meio da igreja, com atos como o falar em línguas, profecias e etc.
Deste surgimento, houve outros sincretismos. Há, por exemplo, igrejas batistas reformadas, igrejas batistas não-reformadas e igrejas batistas pentecostais. Também surgiram igrejas presbiterianas reformadas pentecostais. Há também igrejas luteranas pentecostais e tradicionais. Além do aparecimento de outras grandes denominações pentecostais, como a Assembleia de Deus.
Portanto, precisamos saber que as denominações evangélicas surgiram do rompimento com o governo papal. Desta forma, as igrejas, embora concordassem em pontos fundamentais, sentiram-se livres para expressar seus pensamentos específicos em outros assuntos. Por causa dessa liberdade de um líder religioso maior, os protestantes assumiram as mais variadas formas. 

B.                Origem Doutrinária.
Como vimos anteriormente, as igrejas evangélicas, ou protestantes, são chamadas assim por possuírem um grupo de crenças comuns. Dentre estas crenças, as principais são a crença na autoridade única da Bíblia, na salvação apenas pela graça por meio da fé, a salvação apenas por Cristo, e a adoração apenas para Deus. Estas são as crenças que foram protestadas contra os católicos e que mantém os evangélicos no mesmo conjunto.
No entanto, não existe consenso entre os evangélicos em assuntos importantes, que interferem diretamente na prática da igreja. Cada denominação tem pensamentos diferentes em assuntos importantes, tais como: o método de batismo (imersão ou aspersão); a soberania de Deus versus livre arbítrio em relação à salvação (calvinismo ou arminianismo); a forma de governo da igreja (presbitério, bispo ou congregação); a existência dos dons de “sinais” na era moderna (continuam ou cessaram), etc.[1] Desta maneira, se um grupo acredita, por exemplo, que deve batizar crianças, e outro acredita que não, para não se provocar contendas dentro da igreja, os grupos se dividem em igrejas que pensam diferente, mas que andam juntas em pontos mais importantes.
Infelizmente, outro fator para a grande variedade de denominações deve ser acrescentado. Atualmente, várias igrejas surgem para satisfazer os gostos dos interessados. Assim, há igreja para surfistas, igreja para quem quer prosperidade, igrejas para quem quer curas, ou para os que desejam experiências “poderosas” com Deus e etc. Este é, talvez, o maior fator atual para o surgimento de novas denominações evangélicas.
Portanto, embora haja um grupo amplamente variado de denominações, as igrejas evangélicas são unidas por algumas crenças comuns e por um cabeça, que é Cristo. Por causa da liberdade que temos de ler e entender a Bíblia, pensamentos diferentes surgem, e consequentemente surgem também grupos diferentes. Infelizmente, esta mesma liberdade é mal usada para a criação de igrejas “ao gosto do freguês”, outro fator originador de denominações.

III.             RESUMO DAS DENOMINAÇÕES

Basicamente, podemos organizar as denominações no Brasil em quatro grandes grupos. Veremos, na próxima aula, as características básicas de cada grupo. Por hora, precisamos entender bem onde localizar cada igreja em seu grupo maior de denominações.
Os grandes grupos de denominações brasileiras são: 1) As igrejas pentecostais; 2) as igrejas reformadas; 3) as igrejas fundamentalistas; e 4) As igrejas neopentecostais.
Duas observações precisam ser feitas antes de progredir. Primeiro, estou deixando de fora denominações como a igreja luterana e a igreja metodista, pois não constituem “grupo de denominações”, mas sim denominações históricas específicas. Também deixo de fora as igrejas “gosto do freguês”, pois não se encaixam em nenhum grupo. Segundo, essa divisão não leva em conta os sincretismos, como igrejas reformadas pentecostais, ou fundamentalistas pentecostais. Como veremos em outra aula, o pentecostalismo atingiu todas as denominações históricas, como presbiterianos, batistas, luteranos e etc.
Segue, para concluir, uma tabela com os quatro grandes grupos e as suas principais denominações no Brasil.

Pentecostais
Reformados
Fundamentalistas
Neopentecostais
·      Assembleia de Deus.
·      Deus é Amor.
·      Brasil Para Cristo.
·      Evangelho Pleno.
·      Evangelho Quadrangular
·      Presbiteriana
·      Anglicana
·      Batistas Reformados.
·      Batista da Convenção.
·      Batista Regular
·      Batistas Bíblicas
·      Batistas Independentes
·      Congregacionais
·      Universal
·      Internacional da Graça.
·      Mundial do Poder de Deus.
·      Sara Nossa Terra.
·      Renascer em Cristo.
 

IV.             PERGUNTAS PARA REFLETIR

A.               Por quê você acha que não há tantas denominações no catolicismo?
B.                Quais são os pontos positivos e os negativos de existirem tantas denominações evangélicas?
C.               O que você acha da frase “Placa de igreja não tem importância”?





[1] http://www.gotquestions.org/Portugues/denominacoes-Cristas.html#ixzz2agIHdqa0

Escola Bíblica - Tema: Quem Somos Nós? 1

Lição 1: A Origem das denominações.
     
Professor: Pr. Antônio Neto.

Certa vez, conversando com uma senhora a quem eu estava evangelizando, ela me disse: “não sou evangélica, porque há tanto tipo de igreja evangélica que nem dá para saber qual está correta”. O que esta senhora estava dizendo, em parte, é verdade, pois o Brasil possui incontáveis denominações evangélicas.
Além das denominações mais tradicionais, como as Igrejas Presbiterianas, as Igrejas Assembleia de Deus e as Igrejas Batistas, há uma série de variações. Há aquelas que não gostam do nome “igreja” e adotam o termo “comunidade” ou “congregação”. Há outras denominações que visam a publicidade, adotando nomes como “Igreja da visão de águia”, ou “Igreja canelas de fogo”.
Mais complicado ainda é o fato de que nem mesmo nas denominações tradicionais citadas acima há unidade. Por exemplo, as igrejas Assembleia de Deus incluem a Assembleia de Deus Vitória em Cristo, a Assembleia de Deus ministério central, e até, de acordo com uma pesquisa na internet, a Assembleia de Deus pavio que fumega. Nas igrejas presbiterianas, há as presbiterianas independentes, as renovadas, as presbiterianas do Brasil e etc. E nas Batistas não é diferente.
Uma breve pesquisa na internet é suficiente para se descobrir nomes de igrejas como “IGREJA JESUS ESTÁ VOLTANDO, PREPARA-TE”, IGREJA EVANGÉLICA A ÚLTIMA TROMBETA SOARÁ”, “IGREJA “A” DE AMOR”, e ainda a “CRUZADA EVANGÉLICA DO PASTOR WALDEVINO COELHO, A SUMIDADE”.
Mas afinal, de onde vem tanta igreja? Por quê tanta igreja assim? Por quê que nem no catolicismo, nem em outras religiões existem tantas variações como nas igrejas evangélicas? No meio disso tudo, onde nós nos encaixamos?
Este é o primeiro estudo de uma série que tem como tema geral “Quem somos nós?”. Nosso propósito é entender todo o movimento evangélico e entender o que nós somos em meio a toda esta “confusão”. Nesta primeira aula, tentaremos compreender toda esta variação entre os evangélicos.

I.                   DEFINIÇÕES IMPORTANTES
Antes de começarmos nossos estudos, é bem importante definirmos bem os termos sobre os quais vamos tratar. Primeiro, é bom distinguirmos entre denominações evangélicas, seitas cristãs e religiões cristãs e não-cristãs.
Uma seita é um grupo de pessoas que negam uma crença tradicional do cristianismo, mas que ainda intitula-se cristã. Por exemplo, as Testemunhas de Jeová negam a divindade de Jesus e do Espírito Santo, mas ainda se intitulam-se cristãos. Por isso, as seitas não são consideradas igrejas evangélicas, mas um seguimento religioso específico. Assim, os Mórmons, os Espíritas e as Testemunhas de Jeová são seitas, e não denominações evangélicas.
Uma religião cristã é um seguimento que possui certas crenças oriundas das Escrituras e especialmente afirma ter como seu mestre inicial a pessoa de Jesus de Nazaré. Tradicionalmente, há duas grandes religiões cristãs, o Catolicismo e o Prostetantismo. Da mesma maneira, o Xintoísmo, o Islamismo são exemplos de religiões não-cristãs, pois possuem crenças alicerçadas em outros líderes religiosos, como Confúcio, Buda ou Maomé.
Por fim, uma denominação evangélica é um grupo específico dentro do Protestantismo que abraça uma forma específica de fé e prática, sem abrir mão dos elementos essenciais que os tornam evangélicos. Por exemplo, todos os evangélicos, com raríssimas exceções, concordam que Deus é Trino, que a Bíblia é a Palavra de Deus, que Jesus morreu pelos nossos pecados e ressuscitou, e que Jesus voltará. No entanto, umas igrejas acham que crianças devem ser batizadas, outras acham que não, e isso então divide-as em denominações, mas ainda os mantém no mesmo grupo geral do protestantismo.
Portanto, nossos estudos não tratarão da diferenças entre evangélicos e católicos, nem entre evangélicos e as seitas, mas de diferenças entre os próprios evangélicos. Portanto, a Igreja Batista e a Igreja Presbiteriana são denominações evangélicas.

II.                A ORIGEM DAS DENOMINAÇÕES


A.               Origem Histórica
No início, só havia uma igreja cristã. Com os apóstolos ainda vivos, os cristãos sempre viam uma maneira de manterem-se unidos pelo ensino deles. Por exemplo, quando houve um debate entre as igrejas se os crentes não-judeus deveriam se circuncidar como os judeus, foi uma reunião dos apóstolos quem resolveu (Atos 15).
Depois da morte dos apóstolos, a igreja continuou unida por meio de várias reuniões, chamadas de Concílios. Quando aconteciam discordâncias, eram convocados Concílios para chegar a uma resolução. Porém, depois que o cristianismo se tornou a religião do império romano, ela tornou-se organizada em torno da figura do Papa, e tomou a forma da igreja católica que conhecemos hoje.
Depois de muitos anos, por volta do século XVI, uma série de homens começaram a notar os graves erros cometidos pela igreja papal e decidiram romper com o papado. Dentre eles, os mais importantes foram Lutero e Calvino. Daí começou um novo seguimento religioso, o protestantismo, ou seja, aqueles que romperam com a igreja católica papal.
No entanto, embora os protestantes concordassem em determinados pontos, como a centralidade das Escrituras, a Salvação apenas por Cristo por meio da fé, a mediação única de Jesus, e não de Maria e dos santos católicos, eles possuíam opiniões diferentes em outros pontos importantes, como a forma de governo da igreja, a natureza do batismo, e a forma de se cultuar a Deus.
Destas discordâncias, surgiram quatro grandes modelos de igrejas: 1) O Luteranismo, que seguem os pensamentos de Lutero; 2) Os Reformados ou Presbiterianos, que seguem o pensamento de João Calvino; 3) Os Anglicanos, que seguiam as normas do reinado da Inglaterra; e 4) As igrejas livres, como os anabatistas e depois os Batistas, que eram grupos locais com líderes específicos.
Com o decorrer dos anos, foi natural que houvesse tanto sincretismo entre estas igrejas, como o surgimento de novos formatos. Surgiram, então, igrejas Batistas Reformadas, que foram igrejas batistas que abraçaram os ensinos de João Calvino, e Anglicanas Reformadas. Também, surgiram igrejas como as igrejas Pentecostais, que pregavam um novo agir do Espírito Santo no meio da igreja, com atos como o falar em línguas, profecias e etc.
Deste surgimento, houve outros sincretismos. Há, por exemplo, igrejas batistas reformadas, igrejas batistas não-reformadas e igrejas batistas pentecostais. Também surgiram igrejas presbiterianas reformadas pentecostais. Há também igrejas luteranas pentecostais e tradicionais. Além do aparecimento de outras grandes denominações pentecostais, como a Assembleia de Deus.
Portanto, precisamos saber que as denominações evangélicas surgiram do rompimento com o governo papal. Desta forma, as igrejas, embora concordassem em pontos fundamentais, sentiram-se livres para expressar seus pensamentos específicos em outros assuntos. Por causa dessa liberdade de um líder religioso maior, os protestantes assumiram as mais variadas formas. 

B.                Origem Doutrinária.
Como vimos anteriormente, as igrejas evangélicas, ou protestantes, são chamadas assim por possuírem um grupo de crenças comuns. Dentre estas crenças, as principais são a crença na autoridade única da Bíblia, na salvação apenas pela graça por meio da fé, a salvação apenas por Cristo, e a adoração apenas para Deus. Estas são as crenças que foram protestadas contra os católicos e que mantém os evangélicos no mesmo conjunto.
No entanto, não existe consenso entre os evangélicos em assuntos importantes, que interferem diretamente na prática da igreja. Cada denominação tem pensamentos diferentes em assuntos importantes, tais como: o método de batismo (imersão ou aspersão); a soberania de Deus versus livre arbítrio em relação à salvação (calvinismo ou arminianismo); a forma de governo da igreja (presbitério, bispo ou congregação); a existência dos dons de “sinais” na era moderna (continuam ou cessaram), etc.[1] Desta maneira, se um grupo acredita, por exemplo, que deve batizar crianças, e outro acredita que não, para não se provocar contendas dentro da igreja, os grupos se dividem em igrejas que pensam diferente, mas que andam juntas em pontos mais importantes.
Infelizmente, outro fator para a grande variedade de denominações deve ser acrescentado. Atualmente, várias igrejas surgem para satisfazer os gostos dos interessados. Assim, há igreja para surfistas, igreja para quem quer prosperidade, igrejas para quem quer curas, ou para os que desejam experiências “poderosas” com Deus e etc. Este é, talvez, o maior fator atual para o surgimento de novas denominações evangélicas.
Portanto, embora haja um grupo amplamente variado de denominações, as igrejas evangélicas são unidas por algumas crenças comuns e por um cabeça, que é Cristo. Por causa da liberdade que temos de ler e entender a Bíblia, pensamentos diferentes surgem, e consequentemente surgem também grupos diferentes. Infelizmente, esta mesma liberdade é mal usada para a criação de igrejas “ao gosto do freguês”, outro fator originador de denominações.

III.             RESUMO DAS DENOMINAÇÕES

Basicamente, podemos organizar as denominações no Brasil em quatro grandes grupos. Veremos, na próxima aula, as características básicas de cada grupo. Por hora, precisamos entender bem onde localizar cada igreja em seu grupo maior de denominações.
Os grandes grupos de denominações brasileiras são: 1) As igrejas pentecostais; 2) as igrejas reformadas; 3) as igrejas fundamentalistas; e 4) As igrejas neopentecostais.
Duas observações precisam ser feitas antes de progredir. Primeiro, estou deixando de fora denominações como a igreja luterana e a igreja metodista, pois não constituem “grupo de denominações”, mas sim denominações históricas específicas. Também deixo de fora as igrejas “gosto do freguês”, pois não se encaixam em nenhum grupo. Segundo, essa divisão não leva em conta os sincretismos, como igrejas reformadas pentecostais, ou fundamentalistas pentecostais. Como veremos em outra aula, o pentecostalismo atingiu todas as denominações históricas, como presbiterianos, batistas, luteranos e etc.
Segue, para concluir, uma tabela com os quatro grandes grupos e as suas principais denominações no Brasil.

Pentecostais
Reformados
Fundamentalistas
Neopentecostais
·      Assembleia de Deus.
·      Deus é Amor.
·      Brasil Para Cristo.
·      Evangelho Pleno.
·      Evangelho Quadrangular
·      Presbiteriana
·      Anglicana
·      Batistas Reformados.
·      Batista da Convenção.
·      Batista Regular
·      Batistas Bíblicas
·      Batistas Independentes
·      Congregacionais
·      Universal
·      Internacional da Graça.
·      Mundial do Poder de Deus.
·      Sara Nossa Terra.
·      Renascer em Cristo.
 

IV.             PERGUNTAS PARA REFLETIR

A.               Por quê você acha que não há tantas denominações no catolicismo?
B.                Quais são os pontos positivos e os negativos de existirem tantas denominações evangélicas?
C.               O que você acha da frase “Placa de igreja não tem importância”?





[1] http://www.gotquestions.org/Portugues/denominacoes-Cristas.html#ixzz2agIHdqa0





No ultimo estudo, vimos os principais motivos pelos quais os pais se negam a utilizar a disciplina física em seus filhos. Notamos que tais motivos não procedem, pois as Escrituras são bem claras em sua instrução a favor do uso da vara em nossos filhos.
Neste artigo, desejo apresentar as maneiras equivocadas de os pais lidarem com a desobediência de seus filhos. O que veremos são aquelas situações onde, ao invés de aplicar a vara, como orientado pela Bíblia, os pais adotam outros métodos seculares, ou mesmo de mera intuição.
Quem já assistiu ao seriado televisivo Super Nanny já se encantou com a maneira com a qual ela consegue corrigir comportamentos ruins dentro do lar. Mas note, ela consegue corrigir comportamentos. O propósito da super Nanny é fazer com que os pais vivam bem com seus filhos, aliviar o sofrimento da criação de crianças rebeldes. Para isso, a Nanny aplica técnicas de disciplina como o famoso “lugar da reflexão”. O fato é que funciona, a criança torna-se mais comportada e obediente. Mas a pergunta é: o coração da criança foi tratado ou só seu comportamento? Os pais que recebem a super Nanny estão desejosos de criar a virtude da obediência em seus filhos, ou apenas a atitude de obediência para terem uma vida mais sossegada?
Quando eu falo de “métodos equivocados de os pais lidarem com a desobediência”, estou falando de métodos que não lidam com o coração da criança, apenas com seu comportamento. São métodos que criam hipócritas, crianças que, quando crescem, aprendem a se adequar às exigências para se dar bem, mas possuem um coração sem amor a Deus e à sua Palavra. Quais são estes métodos? Vamos ao primeiro:

1)    Pequenos Subornos
Imagine a seguinte circunstância. A mãe chama seu filho: “Pedrinho, vem aqui na mamãe”. E ele responde “Não, estou brincando”. Daí ela diz “Vem aqui que eu te dou um presentinho”. O que você acha que aconteceu? Ou então, chega a hora de ir para casa e a criança começa a chorar e ficar com raiva. Daí o papai diz “vamos pra casa que eu te dou um super brinquedo”.
Estes pais estão ensinando seus filhos a serem egoístas, a só seguirem uma ordem se ela for benéfica para eles. Este tipo de metodologia pode criar corruptos, infratores da lei, pois ensina a criança que uma ordem só deve ser seguida quando traz algum benefício pessoal.
Nossos filhos precisam ser obedientes porque isto é o certo e agrada a Deus, e não porque eles terão benefícios pessoais. Subornar um filho, dizer para ele obedecer em troca de algo, é, portanto, um método de criação de egoístas.

2)    Pequenas Mentirinhas
Uma cena que já vi com muita frequência são pais tentando controlar seus filhos usando algumas “mentirinhas”. Por exemplo, a criança começa a chorar e espernear porque a mamãe vai sair de casa e não vai leva-la. A mamãe então diz “Filho, a mamãe volta jajá”, sendo que ela voltará no final do dia!
Mais feio do que isso são pais que enganam seus filhos. Utilizando o exemplo acima, a mamãe vê o filho chorando e então diz que não vai mais sair. Daí, quando nota que a criança se acalmou, ela sai de fininho, sem a criança ver.
Pais que costumam mentir para seus filhos precisam saber o quanto estão fazendo mal para eles. As pessoas a quem nossos filhos mais devem confiar somos nós. Somos o primeiro “porto-seguro” de nossos filhos. À medida que eles crescem, precisamos da confiança deles e, por isso, temos que ensiná-los desde cedo a confiar em nós.
Além disso, a Bíblia condena claramente a mentira. Não é este um mandamento “Não dirás falso testemunho?”. Isso significa que qualquer informação dada por nós deve condizer com a verdade. Por isso, jamais devemos mentir para nossos filhos em prol de mudar qualquer mau comportamento.

3)    Chantagens Emocionais
Este é um dos métodos mais utilizados. Ocorre quando a mamãe vê sua filhinha fazendo algo de errado e diz para ela “Isso é muito feio! Você deixou a sua mãe bem triste agora”. A criança, então, sente-se culpada e muda de postura. Ou então, quando a mamãe diz para o seu filho “não faça isso, senão seu pai vai ficar irritado”. A criança com medo muda, assim, seu comportamento.
Estes casos ilustram situações em que um sentimento é utilizado para provocar uma mudança de comportamento. O filho aprende que seu comportamento deve satisfazer as exigências dos outros. O certo e o errado é aquilo que agrada ou não o papai e a mamãe.
A Bíblia conta a história de pessoas que não seguiam a Cristo porque “amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus” (Jo 12:43). Quando pais agem assim, ensinam seus filhos a amarem a aceitação dos homens acima de tudo. Isso produzirá adolescentes e adultos que se comportam de acordo com a exigência dos homens, e não da Palavra de Deus.
Os pais precisam ensinar para seus filhos que eles devem obedecê-los não porque papai vai ficar com raiva, ou mamãe vai ficar triste, mas porque a Bíblia ensina-nos a obedecer nossos pais. Em idades em que a criança ainda não pode entender a Bíblia, elas precisam entender que a autoridade dos pais é o suficiente para elas obedecerem, e não algum tipo de chantagem emocional.

4)    Mudança de Ambiente
Na nossa igreja há uma cadeirinha que possui rodinhas. Meu filho de 3 anos adora carrinhos e, por isso, vive querendo brincar de carrinho com essa cadeirinha. No entanto, essa brincadeira pode machuca-lo, ou mesmo a outra criança. O que fazer? Muitos pais prefeririam simplesmente esconder a cadeirinha. Desta maneira, não haveria mais o problema.
Ou então, imagine a situação. A mãe está conversando com alguém e nota que sua filha de quatro anos pegou um objeto que não deveria. Então ela diz “Não pegue”. Depois, a criança vai lá e novamente pega. Daí, a mamãe vai até lá e retira o objeto da criança, colocando-o a uma altura fora do alcance dela.
Pais que fazem isso estão falhando em ensinar seus filhos a serem obedientes. Na verdade, eles estão ensinando-os o seguinte: “Você não precisa me obedecer. Se eu não quiser que você faça algo, eu dou um jeitinho de você não fazer”. Porém, a Bíblia nos ordena a obedecer nossos pais (Ex 20:12), e é isso que precisamos ensinar a nossos filhos. Portanto, o meu filho precisa parar de brincar com a cadeirinha porque eu ordenei, e não porque eu a escondi.
Além disso, estes pais deixam de ensinar seus filhos a terem autocontrole. Pense o seguinte, se um dia o seu filho de 15 anos vir um amigo usando droga, você desejaria que ele se controlasse e não usasse também? Ou você acha que é capaz de esconder seu filho de todos as tentações do mundo? Por isso, uma das lições mais importantes para ensinarmos aos nossos filhos é se controlarem diante das tentações. Portanto, a criança precisa ver o objeto proibido e saber que não deve pegar porque seus pais não permitem, e não porque seus pais o omitem.

5)    Carões e Broncas
Quem nunca levou uma bronca dos pais? Infelizmente, parece natural os pais acharem que podem e devem dar broncas em seus filhos. Por exemplo, a criança está à mesa do almoço e começa a brincar com os talheres. Daí, o papai irritado diz “PARE DE BRINCAR COM ISSO! EU NÃO JÁ FALEI PRA NÃO BRINCAR COM OS TALHERES!!!”.
Olha o que diz este provérbio bíblico: “O tolo dá vazão à sua ira, mas o sábio domina-se” (Pv 29:11). A Bíblia nos orienta a dominarmos nossa ira. Todo carão ou bronca é uma expressão de ira. Os pais, ao invés de controlarem-se e pensarem na correção da criança, primeiramente dão vazão à sua raiva, e isso é um pecado a ser evitado.
Há várias razões porque não deveríamos dar broncas em nossos filhos. Primeiro, porque uma bronca não instrui. Ela simplesmente coage a criança a mudar, ou por medo, ou por culpa. Segundo, porque a bronca ensina a criança a não controlar sua raiva. Se você rege com raiva aos erros do seu filho, você ensina seu filho a reagir com raiva aos erros dos outros. Terceiro, porque a bronca não demonstra amor, mas ira contra a criança. Isso faz com que a criança saiba que deve obedecer para não deixar seus pais com raiva, e não por amor a eles.
Portanto, jamais devemos tratar nossos filhos com carões. Precisamos ser firmes, no entanto. Dizer para eles, olhando-os nos olhos “Você não pode fazer isso” e, se houver desobediência, aplicar a disciplina como ensinada nas Escrituras.

6)    Agressões
É triste saber que há muitos pais que agridem seus filhos fisicamente. Sei de histórias de filhos que apanham de cinturões nas costas, nos braços e até nos rostos. Sei também de pais que dão beliscões em seus filhos, ou tapas em seus braços ou pernas. É por isso que no Brasil foi decidido que é proibida qualquer disciplina física na criança, pois se convencionou que toda disciplina física é uma agressão.
No entanto, a disciplina bíblica que vamos aprender mais adiante não deve, jamais, ser agressiva à criança. Posso falar por mim que jamais me senti agredido pelos meus pais, embora eles me disciplinassem fisicamente frequentemente. No entanto, nunca os vi batendo em mim com raiva, ou de maneira descontrolada. Por isso, sempre entendi muito bem que eles estavam querendo o meu bem estar. Portanto, é importante que não igualemos uma disciplina física correta com as demais agressões.
Uma agressão é qualquer injúria física promovida de maneira raivosa ou descontrolada. É quando um pai bate em seu filho por raiva, ou sem demonstrar controle e brandura na situação. Veja estes dois exemplos abaixo e note se há diferença.
Exemplo 1: A criança está no braço da mãe batendo suas pernas e batendo no rosto da mamãe. A mãe então, cheia de raiva com isso, começa a desferir palmadas nas pernas da criança, ou belisca-la, ou puxar seus cabelos.
Exemplo 2: A criança está no braço da mãe batendo suas pernas e batendo no rosto da mamãe. A mãe mantém a calma, leva seu filho a um banheiro próximo, olha nos seus ilhós e diz: “Filho, você não pode jamais bater na mamãe. Porque você fez isso, a mamãe vai ter que discipliná-lo.” A mamãe, então, vira a criança e dá umas palmadas no bumbum dela. Depois, pega a criança no colo, a abraça e diz “nunca mais volte a bater na mamãe”.
Percebeu a diferença? O exemplo 1 é uma agressão física, o exemplo 2 é uma disciplina física. Jamais devemos agredir nossos filhos, repito JAMAIS. Além disto ser um pecado ao expressar uma ira desnecessária (Ef 4:26), pode provocar sérios traumas físicos e emocionais na criança.

No próximo estudo, veremos como deve ser aplicada a disciplina física, segundo os princípios das Escrituras. Antes disso, ore, pedindo a Deus a coragem que é preciso para mudar suas atitudes erradas diante de seus filhos.




Disciplinando nossos filhos (parte 2)






No ultimo estudo, vimos os principais motivos pelos quais os pais se negam a utilizar a disciplina física em seus filhos. Notamos que tais motivos não procedem, pois as Escrituras são bem claras em sua instrução a favor do uso da vara em nossos filhos.
Neste artigo, desejo apresentar as maneiras equivocadas de os pais lidarem com a desobediência de seus filhos. O que veremos são aquelas situações onde, ao invés de aplicar a vara, como orientado pela Bíblia, os pais adotam outros métodos seculares, ou mesmo de mera intuição.
Quem já assistiu ao seriado televisivo Super Nanny já se encantou com a maneira com a qual ela consegue corrigir comportamentos ruins dentro do lar. Mas note, ela consegue corrigir comportamentos. O propósito da super Nanny é fazer com que os pais vivam bem com seus filhos, aliviar o sofrimento da criação de crianças rebeldes. Para isso, a Nanny aplica técnicas de disciplina como o famoso “lugar da reflexão”. O fato é que funciona, a criança torna-se mais comportada e obediente. Mas a pergunta é: o coração da criança foi tratado ou só seu comportamento? Os pais que recebem a super Nanny estão desejosos de criar a virtude da obediência em seus filhos, ou apenas a atitude de obediência para terem uma vida mais sossegada?
Quando eu falo de “métodos equivocados de os pais lidarem com a desobediência”, estou falando de métodos que não lidam com o coração da criança, apenas com seu comportamento. São métodos que criam hipócritas, crianças que, quando crescem, aprendem a se adequar às exigências para se dar bem, mas possuem um coração sem amor a Deus e à sua Palavra. Quais são estes métodos? Vamos ao primeiro:

1)    Pequenos Subornos
Imagine a seguinte circunstância. A mãe chama seu filho: “Pedrinho, vem aqui na mamãe”. E ele responde “Não, estou brincando”. Daí ela diz “Vem aqui que eu te dou um presentinho”. O que você acha que aconteceu? Ou então, chega a hora de ir para casa e a criança começa a chorar e ficar com raiva. Daí o papai diz “vamos pra casa que eu te dou um super brinquedo”.
Estes pais estão ensinando seus filhos a serem egoístas, a só seguirem uma ordem se ela for benéfica para eles. Este tipo de metodologia pode criar corruptos, infratores da lei, pois ensina a criança que uma ordem só deve ser seguida quando traz algum benefício pessoal.
Nossos filhos precisam ser obedientes porque isto é o certo e agrada a Deus, e não porque eles terão benefícios pessoais. Subornar um filho, dizer para ele obedecer em troca de algo, é, portanto, um método de criação de egoístas.

2)    Pequenas Mentirinhas
Uma cena que já vi com muita frequência são pais tentando controlar seus filhos usando algumas “mentirinhas”. Por exemplo, a criança começa a chorar e espernear porque a mamãe vai sair de casa e não vai leva-la. A mamãe então diz “Filho, a mamãe volta jajá”, sendo que ela voltará no final do dia!
Mais feio do que isso são pais que enganam seus filhos. Utilizando o exemplo acima, a mamãe vê o filho chorando e então diz que não vai mais sair. Daí, quando nota que a criança se acalmou, ela sai de fininho, sem a criança ver.
Pais que costumam mentir para seus filhos precisam saber o quanto estão fazendo mal para eles. As pessoas a quem nossos filhos mais devem confiar somos nós. Somos o primeiro “porto-seguro” de nossos filhos. À medida que eles crescem, precisamos da confiança deles e, por isso, temos que ensiná-los desde cedo a confiar em nós.
Além disso, a Bíblia condena claramente a mentira. Não é este um mandamento “Não dirás falso testemunho?”. Isso significa que qualquer informação dada por nós deve condizer com a verdade. Por isso, jamais devemos mentir para nossos filhos em prol de mudar qualquer mau comportamento.

3)    Chantagens Emocionais
Este é um dos métodos mais utilizados. Ocorre quando a mamãe vê sua filhinha fazendo algo de errado e diz para ela “Isso é muito feio! Você deixou a sua mãe bem triste agora”. A criança, então, sente-se culpada e muda de postura. Ou então, quando a mamãe diz para o seu filho “não faça isso, senão seu pai vai ficar irritado”. A criança com medo muda, assim, seu comportamento.
Estes casos ilustram situações em que um sentimento é utilizado para provocar uma mudança de comportamento. O filho aprende que seu comportamento deve satisfazer as exigências dos outros. O certo e o errado é aquilo que agrada ou não o papai e a mamãe.
A Bíblia conta a história de pessoas que não seguiam a Cristo porque “amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus” (Jo 12:43). Quando pais agem assim, ensinam seus filhos a amarem a aceitação dos homens acima de tudo. Isso produzirá adolescentes e adultos que se comportam de acordo com a exigência dos homens, e não da Palavra de Deus.
Os pais precisam ensinar para seus filhos que eles devem obedecê-los não porque papai vai ficar com raiva, ou mamãe vai ficar triste, mas porque a Bíblia ensina-nos a obedecer nossos pais. Em idades em que a criança ainda não pode entender a Bíblia, elas precisam entender que a autoridade dos pais é o suficiente para elas obedecerem, e não algum tipo de chantagem emocional.

4)    Mudança de Ambiente
Na nossa igreja há uma cadeirinha que possui rodinhas. Meu filho de 3 anos adora carrinhos e, por isso, vive querendo brincar de carrinho com essa cadeirinha. No entanto, essa brincadeira pode machuca-lo, ou mesmo a outra criança. O que fazer? Muitos pais prefeririam simplesmente esconder a cadeirinha. Desta maneira, não haveria mais o problema.
Ou então, imagine a situação. A mãe está conversando com alguém e nota que sua filha de quatro anos pegou um objeto que não deveria. Então ela diz “Não pegue”. Depois, a criança vai lá e novamente pega. Daí, a mamãe vai até lá e retira o objeto da criança, colocando-o a uma altura fora do alcance dela.
Pais que fazem isso estão falhando em ensinar seus filhos a serem obedientes. Na verdade, eles estão ensinando-os o seguinte: “Você não precisa me obedecer. Se eu não quiser que você faça algo, eu dou um jeitinho de você não fazer”. Porém, a Bíblia nos ordena a obedecer nossos pais (Ex 20:12), e é isso que precisamos ensinar a nossos filhos. Portanto, o meu filho precisa parar de brincar com a cadeirinha porque eu ordenei, e não porque eu a escondi.
Além disso, estes pais deixam de ensinar seus filhos a terem autocontrole. Pense o seguinte, se um dia o seu filho de 15 anos vir um amigo usando droga, você desejaria que ele se controlasse e não usasse também? Ou você acha que é capaz de esconder seu filho de todos as tentações do mundo? Por isso, uma das lições mais importantes para ensinarmos aos nossos filhos é se controlarem diante das tentações. Portanto, a criança precisa ver o objeto proibido e saber que não deve pegar porque seus pais não permitem, e não porque seus pais o omitem.

5)    Carões e Broncas
Quem nunca levou uma bronca dos pais? Infelizmente, parece natural os pais acharem que podem e devem dar broncas em seus filhos. Por exemplo, a criança está à mesa do almoço e começa a brincar com os talheres. Daí, o papai irritado diz “PARE DE BRINCAR COM ISSO! EU NÃO JÁ FALEI PRA NÃO BRINCAR COM OS TALHERES!!!”.
Olha o que diz este provérbio bíblico: “O tolo dá vazão à sua ira, mas o sábio domina-se” (Pv 29:11). A Bíblia nos orienta a dominarmos nossa ira. Todo carão ou bronca é uma expressão de ira. Os pais, ao invés de controlarem-se e pensarem na correção da criança, primeiramente dão vazão à sua raiva, e isso é um pecado a ser evitado.
Há várias razões porque não deveríamos dar broncas em nossos filhos. Primeiro, porque uma bronca não instrui. Ela simplesmente coage a criança a mudar, ou por medo, ou por culpa. Segundo, porque a bronca ensina a criança a não controlar sua raiva. Se você rege com raiva aos erros do seu filho, você ensina seu filho a reagir com raiva aos erros dos outros. Terceiro, porque a bronca não demonstra amor, mas ira contra a criança. Isso faz com que a criança saiba que deve obedecer para não deixar seus pais com raiva, e não por amor a eles.
Portanto, jamais devemos tratar nossos filhos com carões. Precisamos ser firmes, no entanto. Dizer para eles, olhando-os nos olhos “Você não pode fazer isso” e, se houver desobediência, aplicar a disciplina como ensinada nas Escrituras.

6)    Agressões
É triste saber que há muitos pais que agridem seus filhos fisicamente. Sei de histórias de filhos que apanham de cinturões nas costas, nos braços e até nos rostos. Sei também de pais que dão beliscões em seus filhos, ou tapas em seus braços ou pernas. É por isso que no Brasil foi decidido que é proibida qualquer disciplina física na criança, pois se convencionou que toda disciplina física é uma agressão.
No entanto, a disciplina bíblica que vamos aprender mais adiante não deve, jamais, ser agressiva à criança. Posso falar por mim que jamais me senti agredido pelos meus pais, embora eles me disciplinassem fisicamente frequentemente. No entanto, nunca os vi batendo em mim com raiva, ou de maneira descontrolada. Por isso, sempre entendi muito bem que eles estavam querendo o meu bem estar. Portanto, é importante que não igualemos uma disciplina física correta com as demais agressões.
Uma agressão é qualquer injúria física promovida de maneira raivosa ou descontrolada. É quando um pai bate em seu filho por raiva, ou sem demonstrar controle e brandura na situação. Veja estes dois exemplos abaixo e note se há diferença.
Exemplo 1: A criança está no braço da mãe batendo suas pernas e batendo no rosto da mamãe. A mãe então, cheia de raiva com isso, começa a desferir palmadas nas pernas da criança, ou belisca-la, ou puxar seus cabelos.
Exemplo 2: A criança está no braço da mãe batendo suas pernas e batendo no rosto da mamãe. A mãe mantém a calma, leva seu filho a um banheiro próximo, olha nos seus ilhós e diz: “Filho, você não pode jamais bater na mamãe. Porque você fez isso, a mamãe vai ter que discipliná-lo.” A mamãe, então, vira a criança e dá umas palmadas no bumbum dela. Depois, pega a criança no colo, a abraça e diz “nunca mais volte a bater na mamãe”.
Percebeu a diferença? O exemplo 1 é uma agressão física, o exemplo 2 é uma disciplina física. Jamais devemos agredir nossos filhos, repito JAMAIS. Além disto ser um pecado ao expressar uma ira desnecessária (Ef 4:26), pode provocar sérios traumas físicos e emocionais na criança.

No próximo estudo, veremos como deve ser aplicada a disciplina física, segundo os princípios das Escrituras. Antes disso, ore, pedindo a Deus a coragem que é preciso para mudar suas atitudes erradas diante de seus filhos.





Série de estudos baseados no livro “Não me deixe contar até três” (Don’t let me count to three”), de Ginger Plowman

Até hoje recordo as palavras da médica que promoveu o parto de nosso filho. Ela nos disse quando foi visitar minha esposa na enfermaria: “Criar filhos é enfrentar desafios novos todos os dias”. E ela tinha toda a razão! Eu só não esperava que o desafio de disciplinar um filho fosse tão difícil.
É importante já diferenciar entre disciplina e instrução. A disciplina é aquele momento que envolve a correção de um ato pecaminoso da criança. A instrução é o momento de ensino e orientação, para que a criança não venha a agir pecaminosamente. Embora a disciplina envolva instrução, e a instrução envolva disciplina, elas são distintas e é sobre a primeira que irei tratar aqui.
Disciplinar os nossos filhos é uma orientação muito clara nas Escrituras. Veja estes dois textos: Provérbios 22:15:  A insensatez está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a livrará dela.”; Provérbios 23:13  “Não evite disciplinar a criança; se você a castigar com a vara, ela não morrerá.” Portanto, é indiscutível que nós temos que fazer isso.
Neste primeiro artigo, contudo,  gostaria de mencionar quais são algumas razões pelas quais os pais se negam a cumprir esta orientação bíblica. Vamos à primeira:

1)    Eu amo muito meu filho para bater nele”

Por um lado, dá para entender esse tipo de pensamento. Realmente, ver um filho chorando com uma dor provocada por nós é muito doloroso. Lembro quando meu pai dizia “Isso dói mais em mim do que em você”, e agora eu confirmo toda vez que vou disciplinar meu filho.
Mas pense bem: Quem é realmente o beneficiado quando um pai ou uma mãe se nega a disciplinar seu filho? Certamente não é o filho. O texto acima, o de Provérbios 22:15, mostra o quanto a vara beneficia a criança. Eu mesmo tenho testificado o quanto meu filho tem se tornado mais sábio à medida que é disciplinado.
Quem se beneficia com a ausência da disciplina são apenas os pais, pois eles se livram do desconforto de causar sofrimento, ou do desconforto de dedicar tempo para aplicar a vara. Deixar de disciplinar um filho, portanto, não é sinal de amor, mas de egoísmo. Se você pensa que causar sofrimento é demonstração de falta de amor, gostaria de perguntar-lhe: Você já levou seu filho para ser vacinado?

2)    Ele não tem idade ainda para entender”

De todas as justificativas, esta sempre foi a que mais me tentou. Sempre me perguntei se meu filho entendia o porque ele estava sendo disciplinado. No entanto, esse motivo também não faz tanto sentido.
É muito interessante como eu vejo os pais postando vídeos na internet de seus filhos, ou apenas relatando como com um ano de idade eles já sabem imitar o som do cachorro, já sabem dar tchauzinho, já fazem caretinha quando pedimos e etc. Nós acreditamos tanto no potencial de aprendizado de nossos filhos pequenos que muitos chegam a achar que seu filho é o mais esperto de todos. Porém, aprender que bater na mamãe, ou puxar o cabelo do papai leva à disciplina é algo que demoramos a acreditar que nossos filhos são capazes! Isso não parece estranho? O fato é que nossos filhos tanto compreendem muito mais do que imaginamos.

3)    Ele só faz isso quando está fora de casa”

Meu filho Benjamim tem um hábito que só Deus sabe onde ele aprendeu. Quando ele está fora de casa, qualquer coisa que lhe é negada, ele logo se joga no chão. Ele raramente faz isso em casa, e costumeiramente faz fora de casa. O que eu devo fazer? Deixar de disciplina-lo porque ele não está em casa?
Se temos essa desculpa, nossos filhos logo aprenderão que estão livres para nos desobedecer fora de casa. Por isso, os pais precisam ver a melhor maneira de aplicar a disciplina em todos as circunstancias. Se estiver fora de casa, precisa avaliar se dá para aplicar a vara imediatamente, ou se apenas quando chegar em casa. Mas deixar de disciplinar jamais deve ser uma opção nestes casos.

4)    Ele faz isso porque o temperamento dele é difícil”

Essa desculpa não procede, pois todos nós nascemos com “coisas” ruins em nós. A Bíblia diz que todos somos pecadores (Rm 3:23), e por isso precisamos de correção.
Com nossos filhos não é diferente. Se o temperamento deles é difícil, o que é comum que seja, temos um motivo à mais para ensinar-lhes domínio próprio. O que parece mais adequado, usar a disciplina para ensinar o domínio próprio a alguém que tem um temperamento difícil, ou deixar de disciplinar permitindo que a criança expresse toda a sua raiva e rebeldia?
Um alerta para os que abraçam essa desculpa. O temperamento da criança ainda pode ser tratado, o de um adolescente ou adulto é muito mais complicado. O tempo de lidar com temperamentos difíceis é na infância, e não depois que a criança cresce.

5)    Não disciplino meus filhos, e eles nunca me deram trabalho”

Primeiro, eu tenho enormes dificuldades em acreditar em uma declaração como esta. Já conheci duas famílias que diziam isso, e nas duas o que vi foram filhos que, de fato, não envergonhavam os pais em público, ou não os atrapalhavam em casa. Mas notei que os métodos adotados por eles para lidar com a desobediência eram métodos que tratam o comportamento, e não o coração. Por isso, ao invés de criarem filhos obedientes, eles estavam criando filhos hipócritas.
Em uma dessas famílias, pude conversar com um filho que me confidenciou que seus pais o corrigiam com palavras como “Isso é muito feio”, ou “Vá para o seu quarto e fique lá meia hora”. Esta criança, em uma simples conversa, conseguiu me convencer que não amava os seus pais, pois sentia-se reprimida e pressionada.
Eu suspeito muito de pais que me dizer que não precisam disciplinar seus filhos. Toda criança nasce com o pecado, e é sua tendência desobedecer. Por isso, pais que afirmam não precisar disciplinar seus filhos estão indo contra o ensino das Escrituras da pecaminosidade da criança. Portanto, prefiro crer que esta é uma desculpa para a negligência.

Lógico que há outras razões para os pais se negarem a aplicar a disciplina física em seus filhos. Esta são, talvez, as principais. Porém, nenhuma delas é suficiente para comprovar a tese de que não disciplinar é uma opção viável na educação de nossos filhos.


É importante sabermos que sempre aplicamos algum tipo de disciplina em nossos filhos. Quando nós os corrigimos com palavras como “Isso que você fez não está certo, solte esse brinquedo!”, já estamos aplicando um tipo de disciplina. A questão é qual a maneira mais correta de disciplinar. No próximo estudo, veremos as maneiras equivocadas de disciplina, e depois veremos a maneira bíblica.


   

Disciplinando nossos filhos (parte 1)


Série de estudos baseados no livro “Não me deixe contar até três” (Don’t let me count to three”), de Ginger Plowman

Até hoje recordo as palavras da médica que promoveu o parto de nosso filho. Ela nos disse quando foi visitar minha esposa na enfermaria: “Criar filhos é enfrentar desafios novos todos os dias”. E ela tinha toda a razão! Eu só não esperava que o desafio de disciplinar um filho fosse tão difícil.
É importante já diferenciar entre disciplina e instrução. A disciplina é aquele momento que envolve a correção de um ato pecaminoso da criança. A instrução é o momento de ensino e orientação, para que a criança não venha a agir pecaminosamente. Embora a disciplina envolva instrução, e a instrução envolva disciplina, elas são distintas e é sobre a primeira que irei tratar aqui.
Disciplinar os nossos filhos é uma orientação muito clara nas Escrituras. Veja estes dois textos: Provérbios 22:15:  A insensatez está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a livrará dela.”; Provérbios 23:13  “Não evite disciplinar a criança; se você a castigar com a vara, ela não morrerá.” Portanto, é indiscutível que nós temos que fazer isso.
Neste primeiro artigo, contudo,  gostaria de mencionar quais são algumas razões pelas quais os pais se negam a cumprir esta orientação bíblica. Vamos à primeira:

1)    Eu amo muito meu filho para bater nele”

Por um lado, dá para entender esse tipo de pensamento. Realmente, ver um filho chorando com uma dor provocada por nós é muito doloroso. Lembro quando meu pai dizia “Isso dói mais em mim do que em você”, e agora eu confirmo toda vez que vou disciplinar meu filho.
Mas pense bem: Quem é realmente o beneficiado quando um pai ou uma mãe se nega a disciplinar seu filho? Certamente não é o filho. O texto acima, o de Provérbios 22:15, mostra o quanto a vara beneficia a criança. Eu mesmo tenho testificado o quanto meu filho tem se tornado mais sábio à medida que é disciplinado.
Quem se beneficia com a ausência da disciplina são apenas os pais, pois eles se livram do desconforto de causar sofrimento, ou do desconforto de dedicar tempo para aplicar a vara. Deixar de disciplinar um filho, portanto, não é sinal de amor, mas de egoísmo. Se você pensa que causar sofrimento é demonstração de falta de amor, gostaria de perguntar-lhe: Você já levou seu filho para ser vacinado?

2)    Ele não tem idade ainda para entender”

De todas as justificativas, esta sempre foi a que mais me tentou. Sempre me perguntei se meu filho entendia o porque ele estava sendo disciplinado. No entanto, esse motivo também não faz tanto sentido.
É muito interessante como eu vejo os pais postando vídeos na internet de seus filhos, ou apenas relatando como com um ano de idade eles já sabem imitar o som do cachorro, já sabem dar tchauzinho, já fazem caretinha quando pedimos e etc. Nós acreditamos tanto no potencial de aprendizado de nossos filhos pequenos que muitos chegam a achar que seu filho é o mais esperto de todos. Porém, aprender que bater na mamãe, ou puxar o cabelo do papai leva à disciplina é algo que demoramos a acreditar que nossos filhos são capazes! Isso não parece estranho? O fato é que nossos filhos tanto compreendem muito mais do que imaginamos.

3)    Ele só faz isso quando está fora de casa”

Meu filho Benjamim tem um hábito que só Deus sabe onde ele aprendeu. Quando ele está fora de casa, qualquer coisa que lhe é negada, ele logo se joga no chão. Ele raramente faz isso em casa, e costumeiramente faz fora de casa. O que eu devo fazer? Deixar de disciplina-lo porque ele não está em casa?
Se temos essa desculpa, nossos filhos logo aprenderão que estão livres para nos desobedecer fora de casa. Por isso, os pais precisam ver a melhor maneira de aplicar a disciplina em todos as circunstancias. Se estiver fora de casa, precisa avaliar se dá para aplicar a vara imediatamente, ou se apenas quando chegar em casa. Mas deixar de disciplinar jamais deve ser uma opção nestes casos.

4)    Ele faz isso porque o temperamento dele é difícil”

Essa desculpa não procede, pois todos nós nascemos com “coisas” ruins em nós. A Bíblia diz que todos somos pecadores (Rm 3:23), e por isso precisamos de correção.
Com nossos filhos não é diferente. Se o temperamento deles é difícil, o que é comum que seja, temos um motivo à mais para ensinar-lhes domínio próprio. O que parece mais adequado, usar a disciplina para ensinar o domínio próprio a alguém que tem um temperamento difícil, ou deixar de disciplinar permitindo que a criança expresse toda a sua raiva e rebeldia?
Um alerta para os que abraçam essa desculpa. O temperamento da criança ainda pode ser tratado, o de um adolescente ou adulto é muito mais complicado. O tempo de lidar com temperamentos difíceis é na infância, e não depois que a criança cresce.

5)    Não disciplino meus filhos, e eles nunca me deram trabalho”

Primeiro, eu tenho enormes dificuldades em acreditar em uma declaração como esta. Já conheci duas famílias que diziam isso, e nas duas o que vi foram filhos que, de fato, não envergonhavam os pais em público, ou não os atrapalhavam em casa. Mas notei que os métodos adotados por eles para lidar com a desobediência eram métodos que tratam o comportamento, e não o coração. Por isso, ao invés de criarem filhos obedientes, eles estavam criando filhos hipócritas.
Em uma dessas famílias, pude conversar com um filho que me confidenciou que seus pais o corrigiam com palavras como “Isso é muito feio”, ou “Vá para o seu quarto e fique lá meia hora”. Esta criança, em uma simples conversa, conseguiu me convencer que não amava os seus pais, pois sentia-se reprimida e pressionada.
Eu suspeito muito de pais que me dizer que não precisam disciplinar seus filhos. Toda criança nasce com o pecado, e é sua tendência desobedecer. Por isso, pais que afirmam não precisar disciplinar seus filhos estão indo contra o ensino das Escrituras da pecaminosidade da criança. Portanto, prefiro crer que esta é uma desculpa para a negligência.

Lógico que há outras razões para os pais se negarem a aplicar a disciplina física em seus filhos. Esta são, talvez, as principais. Porém, nenhuma delas é suficiente para comprovar a tese de que não disciplinar é uma opção viável na educação de nossos filhos.


É importante sabermos que sempre aplicamos algum tipo de disciplina em nossos filhos. Quando nós os corrigimos com palavras como “Isso que você fez não está certo, solte esse brinquedo!”, já estamos aplicando um tipo de disciplina. A questão é qual a maneira mais correta de disciplinar. No próximo estudo, veremos as maneiras equivocadas de disciplina, e depois veremos a maneira bíblica.